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Frango assado, bife, salada de batata, batata frita, lingüiça,
estrogonofe, capelete, creme de milho e, é claro, o clássico arroz e
feijão. Prato de restaurante de empresa costuma ser assim – uma mistureba
surrealista. Com a variedade de opções, boa parte dos funcionários come de
tudo um pouco (ou de tudo um muito). Some-se a esses almoços
pantagruélicos, em geral regados a refrigerante, o sedentarismo nosso de
cada dia e pronto: as silhuetas arredondam-se de tal forma que até aquela
secretária, tão elegante quando estreou poucos meses atrás, agora mais
parece um bujãozinho. O que é motivo de maledicência na hora do café acaba
de ser confirmado, em larguíssima escala, por uma pesquisa conduzida pelo
laboratório Roche, não por acaso fabricante do Xenical. Ao longo de três
anos, foram analisados os hábitos alimentares e a relação peso/altura de
280.000 funcionários de 200 das maiores
empresas do país – do office-boy ao executivo. O resultado mostra
que 46% deles apresentam quilos extras. Essa cifra é bem mais alta do que
a porcentagem nacional de adultos com sobrepeso.
Dos 22
milhões de trabalhadores brasileiros com carteira assinada, 3,1 milhões
almoçam todos os dias no restaurante da empresa em que dão expediente. É
um número impressionante: equivale à população de uma cidade como Buenos
Aires, a capital argentina. Não se trata de benemerência de patrão com
consciência social. A legislação obriga as firmas com mais de 300
funcionários a fornecer alimentação, seja por meio de vales, seja em um
estabelecimento próprio ou terceirizado. Manter um restaurante dentro da
empresa é bom porque ajuda a evitar que o empregado ganhe as ruas e
estique além da conta a pausa do almoço. A lei determina que, nesses
casos, o cardápio seja supervisionado por um nutricionista. E o que faz
esse profissional? Com o objetivo de proporcionar uma refeição rica e
completa, manda preparar alimentos de diversos tipos. Até aí, tudo bem. Só
que, em vez de montar um prato equilibrado, o funcionário transforma as
edificantes intenções nutricionais numa gororoba calórica.
Além dos
almoços fartos, há ainda as máquinas de salgadinhos, doces e
refrigerantes. Toda essa porcariada contribui para que os funcionários
engordem ainda mais. Não é uma surpresa, portanto, que esteja aumentando a
quantidade de licenças médicas que, na origem, guardam relação com
obesidade. Como isso é sinônimo de prejuízo, algumas empresas resolveram
suavizar seus cardápios. A Dow Química, por exemplo, diminuiu as frituras
e aumentou a oferta de verduras e legumes. Muita gente chiou. "A verdade é
que a maioria das pessoas prefere comidas calóricas", lamenta Maria Lúcia
Bechara, gerente de saúde ocupacional da Dow Química. Na ABB, uma das
maiores empresas de energia do país, escolheu-se o caminho das palestras,
faixas e folhetos. Em breve, seus funcionários poderão contar com um
endocrinologista de plantão. A ABB investe forte na educação alimentar e
está colhendo bons resultados.
A pesquisa da
Roche confirmou à Varig que a companhia deve reforçar seu programa interno
de prevenção da obesidade. As refeições em horários irregulares,
associadas ao ritmo estressante e às noites maldormidas, são um verdadeiro
regime de engorda para as tripulações de vôos de longa duração. Por
indicação médica, comissários e pilotos agora podem solicitar uma refeição
diferente da servida aos passageiros (diferente só nas calorias, bem
entendido). Além disso, a Varig arca com parte dos custos de tratamentos
contra o excesso de peso. Os reembolsos de remédios de regime chegam a
50%. Essa prática também é seguida por outras firmas. Algumas subvencionam
até 80% do preço do medicamento.
Um dado do
levantamento que chama a atenção é o número de obesos graves ou mórbidos.
Mais de um terço dos que apresentam sobrepeso pertencem a essas
categorias. Uma pessoa é considerada um obeso grave quando seu índice de
massa corporal (peso dividido pela altura ao quadrado) ultrapassa 35.
Acima de 40, entra para a faixa dos mórbidos. "Não é um exagero dizer que
a obesidade virou uma epidemia nas grandes empresas", afirma Andrea
Ciolette, coordenadora da pesquisa da Roche. Se você trabalha numa delas,
mais cuidado na hora de fazer seu prato. Ah, sim, e se no seu trabalho
houver uma academia de ginástica pense seriamente em matricular-se nela.
Ainda que seja difícil encarar o colega de serviço vestindo um shortinho
de Lycra, o sacrifício vale a pena. |
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